A manutenção preventiva e a segurança passaram a ocupar a maior fatia dos orçamentos condominiais aprovados para 2026. Em levantamento com 140 administradoras da Região Metropolitana de São Paulo, as duas rubricas somaram, em média, 38% das previsões de despesa — sete pontos percentuais acima do registrado dois anos antes.

O movimento acompanha a alta dos custos de reparo emergencial e a pressão de seguradoras por comprovação de conservação. Síndicos ouvidos relatam que a mudança começou depois de episódios de desgaste em fachadas e paralisações de elevadores que consumiram o fundo de reserva em poucos meses.

Do conserto ao planejamento

A principal mudança não está no volume gasto, e sim no momento em que a decisão é tomada. Condomínios que adotaram planos anuais de manutenção passaram a contratar serviços com antecedência, o que amplia a concorrência entre fornecedores e reduz o preço final.

A manutenção deixa de ser apenas uma despesa quando passa a fazer parte do planejamento patrimonial.
Eduardo Nogueira, engenheiro civil

Administradoras estimam que a diferença entre um reparo programado e um atendimento de urgência varia de 30% a 60% para o mesmo serviço. Em sistemas hidráulicos e elétricos, a distância é ainda maior, porque a falha costuma atingir áreas privativas e gerar indenizações.

Quais áreas exigem mais atenção

Embora cada condomínio tenha particularidades, algumas áreas costumam exigir atenção constante ao longo de todo o ano:

  • Fachadas: verificação de revestimentos, trincas e infiltrações
  • Elevadores: manutenção periódica e atualização de segurança
  • Instalações elétricas: checagem de quadros, cabos e sistemas de proteção
  • Equipamentos de incêndio: testes e recargas conforme normas vigentes
  • Impermeabilização: análise de lajes, coberturas e áreas expostas

Segurança entra no mesmo plano

A segurança seguiu caminho parecido. Em vez de ampliar o efetivo de portaria, a maior parte dos condomínios pesquisados investiu em controle de acesso, monitoramento de perímetro e treinamento de equipes. A justificativa é a mesma da manutenção: prevenir custa menos que remediar.

Documentação e acompanhamento

Manter registros das inspeções, laudos técnicos e intervenções realizadas é fundamental para a garantia e facilita o planejamento das próximas ações. Especialistas recomendam que o condomínio conte com o apoio de profissionais habilitados, como engenheiros e arquitetos, para orientar práticas e assegurar o cumprimento das normas técnicas.

Para 2027, administradoras projetam a consolidação da tendência, com ampliação de contratos plurianuais de conservação e maior uso de indicadores para acompanhar o desempenho dos fornecedores.