O custo da construção civil brasileira registrou uma redução considerável em seu ritmo de crescimento no mês de setembro. De acordo com as medições apuradas pelo FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), o Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) apresentou uma variação positiva de 0,25%. O resultado demonstra um arrefecimento expressivo na comparação direta com o mês anterior, quando o indicador havia assinalado uma elevação de 0,85%. Essa desaceleração pontual ocorre após um período de pressões mais intensas sobre os canteiros de obras, refletindo a acomodação de componentes-chave que compõem o orçamento dos empreendimentos imobiliários em território nacional.
Apesar da desaceleração mensal, a trajetória dos custos da construção permanece em terreno positivo quando observada sob uma perspectiva temporal mais ampla. A taxa acumulada nos últimos 12 meses alcançou a marca de 6,61%, confirmando que os gastos operacionais e produtivos do setor continuam operando em patamares elevados. Ainda assim, o acumulado atual aponta para uma dinâmica de arrefecimento frente ao cenário verificado em setembro de 2025, período em que o índice acumulava um avanço de 7,07% no mesmo intervalo de comparação. O levantamento estatístico que balizou o resultado do mês foi estruturado com base nas cotações de preços coletadas entre os dias 21 de julho e 20 de agosto.
O comportamento da mão de obra e o alívio nos canteiros
O principal vetor responsável pela perda de tração no índice geral foi o arrefecimento no custo da força de trabalho. O indicador de Mão de Obra apresentou uma variação de 0,37% em setembro, estabelecendo uma desaceleração contundente frente à taxa de 1,56% registrada no mês de agosto. Essa moderação é típica do calendário da construção civil, período em que os reflexos das negociações coletivas e dos dissídios salariais das principais categorias sindicais tendem a se estabilizar após os meses tradicionais de repique nas capitais que concentram os maiores volumes de trabalhadores formais.
Dentro desse agrupamento, contudo, diversas ocupações técnicas e operacionais continuaram a registrar reajustes marginais em suas remunerações. Entre as principais elevações apuradas em setembro figuram os salários de pedreiro, com alta de 0,44%, de engenheiro, que também avançou 0,44%, e de carpinteiro, igualmente com incremento de 0,44%. Complementando o quadro das ocupações com aumento salarial no período, os honorários e pagamentos de eletricista tiveram um acréscimo de 0,43%. Embora esses percentuais traduzam a manutenção de ajustes contratuais, a dispersão foi significativamente mais branda do que a observada nos momentos de repactuação coletiva ampla.
A dinâmica salarial na construção civil exerce uma influência imediata sobre o cronograma financeiro das empresas incorporadoras e empreiteiras. Por se tratar de um setor altamente intensivo no uso do trabalho humano, qualquer variação nos rendimentos das equipes de base ou dos quadros técnicos reverbera diretamente na formação do custo unitário básico. A contenção temporária das pressões salariais em setembro permitiu que os orçamentos das obras em andamento encontrassem um horizonte de maior previsibilidade para o fechamento do terceiro trimestre.
Materiais, equipamentos e serviços registram estabilidade relativa
O agrupamento estruturado por Materiais, Equipamentos e Serviços também desempenhou um papel central na moderação do indicador geral, marcando uma expansão de 0,17% em setembro, após ter registrado um acréscimo de 0,33% na apuração de agosto. Esse movimento indica uma desaceleração no valor cobrado pelos insumos industriais essenciais para a execução e sustentação dos projetos imobiliários, aliviando as planilhas de compras dos departamentos de suprimentos em diferentes fases construtivas.
Ao isolar a categoria específica de Materiais e Equipamentos, nota-se que a taxa de variação seguiu rigorosamente a mesma trajetória de alívio, passando de 0,33% em agosto para 0,17% em setembro. Essa movimentação descendente foi sustentada pelo desempenho de dois dos quatro subgrupos avaliados pelo instituto de pesquisa, os quais exibiram menor ritmo inflacionário. O destaque primordial dentro desse bloco produtivo coube ao subgrupo de Materiais para Instalação, cuja taxa recuou expressivamente de 1,26% na medição anterior para 0,48% na apuração atual, reduzindo custos em sistemas elétricos e hidráulicos.
No segmento de Serviços, a tendência de contenção igualmente se fez presente, com a taxa de variação recuando de 0,33% em agosto para 0,15% no mês de setembro. Essa perda de intensidade foi puxada majoritariamente pelo item denominado Projetos, que registrou uma redução de sua oscilação mensal de 0,35% para 0,10%. Essa desaceleração reflete uma menor correção nos honorários e valores cobrados pela elaboração de plantas, desenhos técnicos e estudos estruturais contratados pelas empresas antes e durante a implantação dos empreendimentos.
Flutuações de insumos: as maiores altas e quedas de setembro
A despeito da moderação agregada dos grupos que compõem a pesquisa, os preços individuais de determinados insumos apresentaram volatilidade relevante durante o período de coleta. Entre os materiais que registraram as maiores pressões de custo, o principal destaque positivo foi observado nos condutores elétricos, que anotaram uma elevação expressiva de 2,34% no mês de setembro. Esse incremento acentuado encarece diretamente a fase de instalações das edificações, atingindo desde cabeamentos primários até sistemas de distribuição de energia interna dos prédios residenciais e comerciais.
Em sentido oposto, um conjunto diversificado de insumos pesados e itens de apoio operacional apresentou deflação, contribuindo para frear o avanço do custo global da construção. A maior retração de preços foi registrada no item barracão de obra/contêiner, que caiu 1,07% no período, barateando a montagem e manutenção da infraestrutura de apoio nos canteiros. Também registraram variações negativas os tubos e conexões de PVC (-0,48%), assim como as mangueiras e caixa para mangueiras (-0,48%), ambos elementos vitais para a infraestrutura de redes prediais e segurança contra incêndios.
Outros insumos de elevado peso físico e estético na conclusão das obras completaram a lista de retrações de custos apuradas em setembro. As placas cerâmicas para revestimento registraram uma redução média de 0,32% em suas cotações, aliviando a etapa de acabamento. Por sua vez, o segmento de vergalhões e arames de aço, insumo essencial na composição das estruturas de concreto armado e na sustentação de qualquer edifício, apresentou uma queda de 0,27%, demonstrando menor pressão na cadeia siderúrgica voltada à construção civil nacional.
Divergências regionais: o comportamento do custo nas capitais
A análise territorial do INCC-M revela que o arrefecimento nos índices não ocorreu de maneira uniforme em todo o Brasil. Das sete capitais monitoradas de forma contínua pelo índice, cinco apresentaram desaceleração em suas taxas de variação em setembro: Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo. Nesses centros urbanos, a combinação de menor pressão salarial e estabilidade na reposição de estoques de materiais garantiu índices mensais mais comedidos.
Em contrapartida, duas importantes capitais da Região Nordeste seguiram um caminho divergente e registraram aceleração em seus custos de construção civil: Recife e Salvador. Em ambas as localidades, as taxas mensais ganharam velocidade em setembro, revelando que fatores específicos de mercado local, demandas regionais por mão de obra qualificada ou reajustes diferenciados no fornecimento de insumos básicos atuaram contra a tendência predominante no restante do país, elevando a fatura dos construtores locais.
A situação do mercado paulistano
No caso da cidade de São Paulo, principal polo de lançamentos e volume financeiro imobiliário do país, o Índice de Custos da Construção (ICC) registrou um avanço de 0,33% no mês de setembro. O resultado aponta para uma dinâmica ligeiramente superior à média global do INCC-M nacional, que foi de 0,25%, evidenciando a densidade da demanda e os custos operacionais mais rígidos característicos da maior metrópole brasileira.
Com essa variação de setembro, o ICC paulistano consolidou um incremento acumulado de 6,51% no decorrer do ano corrente. Já na perspectiva dos últimos 12 meses, a alta de custos em São Paulo atingiu 7,48%, situando-se consideravelmente acima da taxa média nacional acumulada no mesmo horizonte (6,61%). Esses números revelam que, embora o ritmo mensal tenha abrandado na capital paulista, a pressão anual sobre as construtoras que atuam no município segue relevante, encarecendo os gastos de execução das obras verticais e horizontais em andamento.
O papel do INCC-M na economia e seus impactos para o consumidor
O INCC-M é um dos mais fundamentais termômetros econômicos da atividade imobiliária brasileira, funcionando não apenas como um indicador setorial de inflação para os produtores, mas também como o principal indexador contratual aplicado a consumidores finais. Durante a fase de construção de um imóvel comercial ou residencial adquirido na planta, as parcelas contratuais devidas pelo comprador e o saldo devedor junto à incorporadora são atualizados mensalmente por esse indicador. Por essa razão, qualquer desaceleração na taxa mensal alivia de forma imediata o orçamento das famílias que estão pagando etapas intermediárias de suas aquisições.
Para as construtoras e incorporadoras imobiliárias, a moderação dos reajustes mensais assegura um ambiente de maior previsibilidade no planejamento de compras de médio prazo. A previsibilidade de custos operacionais impede a deterioração de margens de lucro previamente calculadas na fase de viabilidade dos projetos e reduz a necessidade de contingenciamento emergencial de capital de giro. Quando insumos vitais, como o aço, e serviços especializados de projeto apresentam alívio em conjunto com a estabilidade salarial, as empresas conseguem cumprir seus cronogramas físicos e financeiros com menor atrito junto aos agentes financiadores.
Em suma, os dados colhidos pelo FGV Ibre entre julho e agosto mostram que, embora a taxa em 12 meses ainda se mantenha acima de 6% no plano nacional e supere os 7% na praça de São Paulo, o comportamento mensal de setembro inaugurou uma janela de menor agressividade nos reajustes de insumos e salários. A sustentação dessa trajetória dependerá da capacidade do setor de absorver novas pressões em condutores elétricos e das oscilações de oferta nas capitais onde o custo continuou acelerando, como Salvador e Recife, permanecendo o mercado atento aos próximos ciclos de coleta.









