Uma ampla mobilização social voltada aos profissionais dos canteiros de obras e aos seus núcleos familiares movimentou o estado de São Paulo no sábado, 26 de setembro. Trata-se da 16ª edição do Encontro Estadual da Construção Civil em Família (ConstruSer), iniciativa que reuniu 17,8 mil participantes distribuídos por dez polos regionais. O evento consolidou um dia inteiro dedicado ao acesso gratuito a atendimentos de saúde, atividades recreativas, ações de cidadania e qualificação profissional, estruturado sob uma temática lúdica inspirada no universo das artes circenses.
Organizado pelo SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), o encontro atingiu a marca de 17.800 pessoas atendidas de forma simultânea. A proposta central da mobilização reside em estreitar os laços entre o ambiente corporativo e a vida doméstica dos operários, transferindo o reconhecimento laboral para um espaço de convivência coletiva que ultrapassa as fronteiras físicas dos canteiros de obras espalhados pelo território paulista.
Integração familiar e valorização profissional sob a lona temática
Com o lema oficial “O Fascinante Mundo do Circo no ConstruSer”, a décima sexta edição buscou criar um ambiente acolhedor e visualmente atrativo para crianças, jovens e adultos. A ambientação circense serviu de condutor para aproximar os trabalhadores de serviços essenciais que, muitas vezes, tornam-se de difícil acesso na rotina acelerada da construção pesada e da edificação urbana. Longe do barulho das betoneiras e dos andaimes, as famílias puderam partilhar momentos de descontração e usufruir de uma grade diversificada de atrações artísticas e recreativas.
Durante a cerimônia de abertura realizada na capital paulista, a liderança da entidade patronal ressaltou o papel transformador que a ação representa para a categoria. O presidente executivo do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, enfatizou que o projeto vai além do mero entretenimento, atuando como um instrumento de reconhecimento humano e institucional:
“O ConstruSer é um momento de valorização do trabalhador da construção civil. É uma ocasião especial, em que ele pode aproveitar com a família uma programação que mistura diversão e cidadania. Para as empresas do SindusCon-SP, é muito importante proporcionar essa experiência aos profissionais. Tudo isso também acontece graças aos voluntários, que dedicam parte do seu final de semana para ajudar a oferecer um momento de alegria aos trabalhadores e suas famílias”, afirmou Zaidan.
A fala do dirigente sintetiza a diretriz do encontro: estabelecer um canal direto de valorização dos operários, servindo como uma ponte entre a dedicação cotidiana nas obras e a oportunidade de descanso e bem-estar compartilhado com cônjuges e filhos. A construção dessa rede de convivência fortalece o sentimento de pertencimento a uma das indústrias mais vitais para a economia e a infraestrutura do país.
Atendimento multidisciplinar: saúde, bem-estar e direitos civis
A espinha dorsal do ConstruSer apoia-se em uma grade abrangente de serviços gratuitos, estruturada para atender demandas práticas dos trabalhadores e de seus dependentes. No âmbito do bem-estar físico e preventivo, o evento concentrou atendimentos de saúde e odontológicos, possibilitando a triagem de condições clínicas básicas, orientações de higiene bucal e avaliações preventivas que auxiliam no diagnóstico precoce de patologias comuns no cotidiano laboral.
Além da assistência em saúde, os participantes tiveram acesso a serviços de estética e cuidados pessoais, incluindo cortes de cabelo e iniciativas voltadas à autoestima e ao embelezamento. Em paralelo, a área de cidadania desempenhou um papel relevante, fornecendo orientações práticas sobre documentação e direitos fundamentais, simplificando o acesso a informações essenciais para a vida civil.
O pilar educacional também esteve presente por meio de espaços focados em qualificação profissional, incentivando os trabalhadores a buscarem o aprimoramento contínuo de suas habilidades técnicas. A integração dessas frentes evidencia que a responsabilidade social do setor transcende a segurança ocupacional regulamentar dentro das empresas, estendendo-se à elevação das condições de vida e desenvolvimento socioeconômico dos colaboradores.
Mobilização de voluntários e capilaridade nas regionais paulistas
A operacionalização de uma jornada de grandes proporções em dez localidades distintas exigiu uma engrenagem logística complexa. Ao todo, 2,2 mil voluntários participaram ativamente do suporte organizacional, dedicando o final de semana para coordenar o fluxo de visitantes, orientar as famílias, apoiar os postos de triagem e garantir a execução segura de todas as atividades programadas nas unidades.
A distribuição territorial evidenciou a descentralização do evento, com forte presença em centros industriais e polos do interior e litoral de São Paulo. Ao analisar a presença de público e a alocação de voluntários por Regional do SindusCon-SP, os números revelam uma adesão expressiva:
A regional de Sorocaba e Votorantim liderou a mobilização estadual em número de participantes, registrando 3.354 pessoas presentes e um corpo de apoio formado por 400 voluntários. Em seguida, a capital e a região metropolitana oeste, representadas pelo polo São Paulo | Osasco, contabilizaram 2.454 participantes e contaram com o maior contingente individual de equipes solidárias, somando 563 voluntários.
No interior paulista, a regional de Ribeirão Preto também demonstrou expressiva capacidade de engajamento, reunindo 2.296 pessoas e 200 voluntários. No Vale do Paraíba, o polo de São José dos Campos acolheu 1.445 participantes auxiliados por 223 voluntários, seguido de perto pela regional de Presidente Prudente, que registrou 1.387 membros da comunidade da construção e 200 voluntários no extremo oeste do estado.
Na região metropolitana de Campinas, o polo de Campinas recebeu 1.375 trabalhadores e dependentes, com suporte de 180 voluntários. Já no centro-oeste paulista, Bauru alcançou a marca de 1.200 participantes e 200 voluntários, enquanto a unidade de São José do Rio Preto somou 1.153 pessoas e 256 membros na equipe de apoio. No Grande ABC, a regional de ABC | Santo André atendeu 836 visitantes com 100 voluntários, e a Baixada Santista, por meio do polo de Santos, registrou 645 pessoas assistidas por 223 voluntários, consolidando os 17.800 participantes e 2.200 voluntários em todo o território estadual.
A trajetória histórica e o acúmulo de atendimentos sociais
O alcance registrado nesta 16ª edição reflete uma política institucional de longo prazo. Criado para valorizar o capital humano da construção civil, o ConstruSer acumulou, ao longo de sua trajetória contínua, marcas que comprovam a solidez de seu modelo de atuação coletiva.
O vice-presidente de Capital-Trabalho e Responsabilidade Social do SindusCon-SP, Haruo Ishikawa, analisou os indicadores que contextualizam o impacto da iniciativa para o setor. Conforme os registros da entidade, até o ano de 2025 o programa já contabilizava um histórico superior a 400 mil participantes presenciais e mais de 4 milhões de atendimentos realizados nas diversas áreas contempladas.
Ao avaliar o significado desses indicadores históricos para a cadeia produtiva, Haruo Ishikawa apontou:
“O ConstruSer demonstra, ao longo dos anos, o compromisso da construção civil com seus trabalhadores e suas famílias. Os números mostram a dimensão que o evento alcançou e a importância de manter uma ação que reúne saúde, cidadania, lazer e convivência familiar”, afirmou Ishikawa.
A dimensão histórica reforçada pelo dirigente sinaliza que o projeto se tornou parte do calendário institucional do setor, servindo de parâmetro para as práticas de governança social das construtoras e incorporadoras que operam sob a égide do sindicato patronal.
Alianças institucionais e o modelo de cooperação setorial
A execução do ConstruSer em escala estadual decorre de uma articulação interinstitucional que envolve entidades dedicadas à educação, à saúde ocupacional e à representação dos operários. A edição de 2026 foi viabilizada pelo SindusCon-SP por meio de parcerias estratégicas com o Serviço Social da Indústria (Sesi-SP), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP) e o Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci-SP).
A junção dessas instituições permite reunir especialidades técnicas distintas em benefício direto dos trabalhadores. Enquanto o Sesi-SP aporta expertise em infraestrutura recreativa, cultural e esportiva, o Senai-SP atua no suporte pedagógico e na apresentação de perspectivas para a capacitação profissional. Por sua vez, o Seconci-SP, órgão historicamente dedicado à assistência médica e ambulatorial dos trabalhadores do setor, assegura o aparato necessário para as intervenções de saúde e prevenção odontológica realizadas ao longo da jornada.
O alinhamento setorial foi completado pela parceria institucional com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP). Essa colaboração entre a representação patronal e a entidade laboral reforça que a responsabilidade social atua como uma pauta convergente entre capital e trabalho, voltada à melhoria coletiva das condições de vida dos operários e de suas famílias.
Impactos da responsabilidade social na rotina dos canteiros
As ações que compõem o Encontro Estadual da Construção Civil em Família produzem efeitos que reverberam para além do dia do evento. No contexto das obras, onde as exigências físicas e o cumprimento de cronogramas rigorosos demandam concentração e esforço constantes, a existência de programas focados no bem-estar integral atua como fator de estímulo e valorização humana.
A oferta de atendimentos de saúde preventivos, por exemplo, preenche lacunas no acompanhamento médico rotineiro de muitos operários, identificando necessidades de tratamento odontológico ou alterações clínicas que poderiam se agravar caso não recebessem a devida orientação. Da mesma forma, ao viabilizar espaços em que a família pode compreender a importância do ofício exercido pelo trabalhador e desfrutar de momentos estruturados de lazer, a indústria da construção civil reafirma seu compromisso com a dignidade social dos profissionais que erguem as cidades.
Ao encerrar sua 16ª edição com 17,8 mil atendidos e o respaldo de mais de dois mil voluntários dedicados à causa, o ConstruSer renova o papel das políticas corporativas voltadas às pessoas, assegurando que o desenvolvimento econômico do setor caminhe lado a lado com a cidadania, a saúde e o acolhimento das famílias trabalhadoras.









